O suicídio pode afetar pessoas de diferentes origens, faixas etárias e condições socioeconômicas. É um fator preocupante na sociedade, pois nem sempre é possível perceber os sinais que podem desencadear o ato suicida.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio já seria a segunda principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. No Brasil, o número de casos aumentou 65% entre pessoas de 10 a 14 anos e 45% no grupo que vai dos 15 aos 19 anos (entre 2000 e 2015), enquanto, na média geral da população, o crescimento neste período foi de 40%. O levantamento ainda destaca que, a cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida no mundo.

Os dados são alarmantes e, segundo os profissionais de saúde, ainda não foi possível explicar esse fenômeno. Porém, eles avaliam que os fatores podem ser a ausência da família, dificuldade de lidar com frustrações e decepções, acesso facilitado às drogas, discriminação, entre outras questões.

Para combater

Mesmo se tratando de um grave problema de saúde pública, os suicídios podem ser evitados se identificados a tempo.

Para impedir o agravamento das estatísticas, o Setembro Amarelo é um mês dedicado à conscientização do assunto, em que instituições divulgam informações úteis que possam evitar tragédias, promovendo a criação de redes de apoio e de atenção, como os Centros de Valorização da Vida (CVV), que abordam e escutam as histórias de pessoas em risco de suicídio.

Em razão do Setembro Amarelo, a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, em parceria com outras secretarias do Estado e entidades que fazem parte do Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, lançou recentemente o ‘Guia Intersetorial de Prevenção do Comportamento Suicida em Crianças e Adolescentes’, que tem como objetivo orientar profissionais da saúde, educação, assistência social, segurança pública e conselho tutelar sobre o tema. A publicação apresenta informações importantes sobre os fatores de risco responsáveis pelo aumento da autoagressão ou tentativa de suicídio em crianças e adolescentes.

Quais os sinais quando alguém pensa em suicídio?

O guia lançado pela Secretaria da Saúde destaca alguns sinais de alerta para o comportamento suicida. É preciso ficar atento às expressões:

  • Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança;
  • Expressão de ideias ou de intenções suicidas;
  • Diminuição ou ausência de autocuidado;
  • Mudanças na alimentação e/ ou hábitos de sono;
  • Uso abusivo de drogas/álcool;
  • Alterações nos níveis de atividade ou de humor
  • Crescente isolamento de amigos/família
  • Diminuição do rendimento escolar
  • Autoagressão

E quando os sinais são invisíveis?

O sofrimento das pessoas com comportamentos suicidas pode carregar sinais invisíveis, é quando amigos e familiares não percebem nada. “Nem sempre o sinal é visível, pois, às vezes, a pessoa está em sofrimento, mas esconde, por vergonha, medo do que os outros vão pensar, porque não quer que achem que ela é fraca, que não está conseguindo lidar com alguma situação”, explica a psicóloga Fátima Macedo, líder do Comitê de Saúde e do Comitê de Apoio Emocional do Grupo Mulheres do Brasil – responsável pelo apoio aos Núcleos nacionais e internacionais.

Porém, mesmo nessas situações há como agir preventivamente. “Precisamos abrir espaços de falas de emoções, seja na família, no ambiente de trabalho, entre os amigos, para falarmos dos nossos sentimentos e preocupações”, sugere Fátima, ressaltando a importância desta atitude, “pois, assim, as pessoas se sentem mais acolhidas e podem falar a respeito de como estão se sentindo”, diz.

Segundo a médica Glória Brunetti, também líder do Comitê de Sáude, a observação é fundamental. “É preciso observar o nosso entorno, as pessoas que estão a nossa volta, lançar um olhar atencioso e agregar conhecimento. É estar perto quando a gente sentir que alguém está com algum problema, que está mais abatido e fechado do que o habitual, que o filho está mais trancado do que o normal”, diz Glória.

Ela ainda faz um alerta para que as pessoas não tenham medo de romper a barreira. “É o único modo de saber o que está acontecendo e de poder intervir. Tanto em âmbito profissional, quanto no pessoal, que também é muito importante ser acionado quando alguém precisa de auxílio”, conclui.

Nesse cenário, todos somos responsáveis pela saúde dos que estão à nossa volta e podemos agir preventivamente para minimizar as estatísticas de suicídio.

Clique neste link e faça o download do Guia Intersetorial de Prevenção do Comportamento Suicida.

Por Laura Scarpelini