Uma atualização sobre a situação em nossa sociedade

O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, facilmente transmissível e caracterizada pela presença de febre, exantema (manchas vermelhas) e sintomas respiratórios como tosse e secreção nasal. Pode evoluir com gravidade necessitando em alguns casos, de internação.

A contaminação ocorre pela via aérea, principalmente, no período de quatro dias antes e quatro dias depois do aparecimento do exantema.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) identificou 170 países com surtos de sarampo desde 2017. Este ano houve 300% de aumento do número de casos em relação a 2018, importantes surtos na Europa e Ásia são frequentes. Em 2018 na Europa, o sarampo triplicou com 82.596 casos, sendo que mais de 52.000 destes são da Ucrânia, país mais assolado pela doença no mundo.

Foi considerada uma doença erradicada nas Américas até 2016 e no Brasil, até o ano passado, quando mais de 10 mil pessoas adoeceram no Norte do Brasil.

Agora, o Estado de São Paulo se transforma no epicentro da doença que se espalha em ritmo acelerado, graças aos vírus que chegaram da Europa e Ásia. De cada 10 brasileiros infectados neste ano, oito vivem na capital paulista. Ao todo, o estado contabiliza 484 casos de sarampo, 363 deles na cidade de São Paulo, 75% das ocorrências.

Outros municípios com alto número de casos ficam na Grande São Paulo. São os casos de Santo André (17), São Bernardo do Campo (12) e São Caetano do Sul (8).

A situação mobilizou as autoridades, que têm intensificado as campanhas de vacinação, a melhor forma de impedir o contágio.

Entre 17 de junho e 22 de julho, o número de casos confirmados de sarampo na capital paulista passou de 32 para 363 (avanço de 1.034%), dos quais 70 são autóctones (contraídos no município).

População de 15 a 29 anos representa quase metade dos casos da doença na capital e para conter o avanço, a campanha de vacinação desta faixa etária, público-alvo da ação, será realizada nas escolas e nos batalhões da PM. Empresas são convocadas a colaborar com ações de bloqueio

E se considerarmos a faixa etária de 15 a 39 anos, o número de infectados pode chegar a mais de 60%. A maioria das pessoas com menos de 15 anos nasceu em uma época em que as duas doses de vacina para a imunização definitiva já eram oferecidas pelo governo, tornando protegido este grupo de pessoas.

As pessoas que têm mais de 40 anos podem ter contraído sarampo na infância, o que daria proteção definitiva.

Há vacinas contra sarampo no sistema público e as pessoas devem evitar se encaminhar para os Pronto Socorros, se não houver real necessidade, para evitar exposição e contaminação pelo vírus.

A vacinação está indicada se o indivíduo não estiver seguro de que teve a doença ou que tenha tomado a segunda dose da vacina, em especial na faixa etária do público alvo atual.

Está contraindicada a vacinação para gestantes, pessoas com doença ou em tratamento imunossupressor, pacientes em uso de quimioterapia ou radioterapia.

Pessoas que vivem com HIV/AIDS devem procurar seu médico para o aconselhamento vacinal.

Por Dra. Glória Brunetti – Médica Infectologista e Paliativista – Comitê Saúde , Grupo Mulheres do Brasil

 Fontes:

  • Sarampo: Diagnóstico, notificação e prevenção; NOTA TÉCNICA 16/07/2018 de Sociedade Brasileira de Imunizações, Sociedade Brasileira de Infectologia e Sociedade Brasileira de Pediatria
  • Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica, Guia de Vigilância Epidemiológica – 2. ed. Brasília, 2017