“A educação também é o local de reprodução da exclusão”. Agenor Jr, professor universitário, introduziu com essa frase o debate promovido pelo Comitê de Educação do Grupo Mulheres do Brasil no dia 3 de abril. O encontro teve mais cinco convidados.

A psicóloga Naria Luz, mulher negra, lésbica e periférica, disse ser libertador poder se apresentar assim.

João Pedro Inecco é poeta, educador popular e graduando e pedagogia. Homossexual (mas ele prefere se chamar de bicha), nos contou que foi mais difícil sair do armário como poeta.

A também poeta Patricia Borges desabafou: “a sociedade me mata a cada instante”. Patricia foi expulsa da escola aos 7 anos e de casa aos 13. “Eles não tinham o entendimento de que eu era um corpo, um ser humano”.

Adriano Nascimento é artista plástico, dançarino DJ e músico. Veio para São Paulo com 2o reais e uma mochila, querendo estudar e perseguir seu sonho. Hoje é estudante de Serviço Social. Nas palavras dele: “a maior arma que nós temos é a educação”.

Marcelo Moraes, estudante de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas, já atuou na Secretaria de Direitos Humanos da prefeitura de Sã0 Paulo. Marcelo chamou a atenção para a imensa dificuldade de empregabilidade de trans e travestis.

Maitê Schneider tenta ajudar. É fundadora da Transempregos, que trabalha na capacitação e divulgação de oportunidades de emprego para pessoas transgênero em todo o país. Sua meta é que seu projeto não seja mais necessário em 10 anos.

Os nossos convidados se incomodam com as categorias que a sociedade lhes impõe. Não querem ser nomeados de acordo com suas opções sexuais e com os gêneros que escolheram ter. Todos nós somos humanos. Nas palavras de Maitê, a cada pessoa que nasce, nasce uma nova identidade.