Um dia inteiro de diálogo, debate, informação, conscientização, compromisso e depoimentos emocionantes, em torno do tema Igualdade Racial. Assim foi a terceira edição e o encerramento do Plugar, evento realizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, por meio do Comitê Expansão, que colocou em evidência o racismo, o viés inconsciente e a responsabilidade da sociedade civil e das empresas nesse pacto pela redução da desigualdade racial e de gênero, no último dia 24, na Torre Santander, em São Paulo.

Participantes atentas, motivadas e emocionadas – Foto: Angela Rezé

O evento iniciou com um grande Fórum na parte da manhã, com as integrantes dos diversos Núcleos do Grupo que se reuniram para compartilhar  e apresentar as ações que já vêm sendo desenvolvidas no campo da Igualdade Racial. As cerca de 300 mulheres de várias partes do Brasil se emocionaram a cada relato das representantes dos Núcleos de Salvador, Franca, Campinas, Florianópolis, Goiânia, Rio de Janeiro, São José dos Campos e São José do Rio Preto.

De acordo com Lilian Leandro, diretora de expansão e líder do Comitê Expansão, de 49 Núcleos Regionais, apenas 35% desenvolvem ações voltadas para a temática da Igualdade Racial. “A gente vê o Plugar como um fórum oportuno para dar luz a um tema que precisa de desenvolvimento ainda, tem muito espaço para evoluirmos esse índice, que significa ampliar a consciência, a abrangência, as ações, aumentar a nossa voz enquanto coletivo. São movimentos essenciais para uma das nossas causas globais”, afirma a líder.

“O Plugar é um fórum oportuno para dar luz ao tema da Igualdade Racial”, diz Lilian Leandro – Foto: Divulgação

Para Elizabete Scheibmayr, uma das líderes do Comitê de Igualdade Racial, estruturar o programa foi um grande desafio. “Quando começamos a construir o Plugar Igualdade Racial junto com o comitê, sabíamos que seria uma jornada desafiadora, pois poucos núcleos tinham ação de igualdade racial”.

“Nós temos obrigação de corrigir essa desigualdade”, afirma Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil, “pois o Brasil foi um dos países que mais recebeu escravos no mundo. O que nós temos que fazer para proporcionar uma geração melhor para os nossos netos é pedir desculpas e atuar para diminuir essas diferenças. Depois que passamos a entender e a falar sobre isso nos tornamos pessoas melhores”, disse a executiva durante o Fórum.

“Precisamos corrigir essa desigualdade”, diz Luiza Helena Trajano – Foto: Angela Rezé

Neste sentido, para o Grupo Mulheres do Brasil, Igualdade Racial é uma das causas globais, e esse foi o momento de envolver todas as suas integrantes para tocar no assunto e conscientizar. “Nossa opção foi acolher todos os Núcleos, entender suas ações e mesmo aqueles que ainda não tinham nada voltado para igualdade racial, entender quais eram seus desafios”, explica Elizabete.

Além da apresentação dos Núcleos, na pauta do Fórum, as líderes do Comitê, Elizabete Scheibmayr e Kaká Rodrigues apresentaram dados estatísticos e um panorama sobre a história da desigualdade racial no Brasil e houve também uma palestra sobre viés inconsciente (confira os links, com a cobertura completa do Plugar, ao final desta matéria).

Posicionamento

Avançando no objetivo institucional do Comitê de Igualdade Racial, que é aumentar a participação da mulher negra em posições de liderança no mundo corporativo, no poder público e nos espaços de tomada de decisão da sociedade brasileira, ao final do Plugar Igualdade Racial foram definidas três ações globais que devem ser desenvolvidas em todos os 49 Núcleos Regionais:

1 – Aceleradora – Carreira, Empreendedora e Cultural

2 – Fóruns Regionais – Fórum de Igualdade Racial – anual

3 – Capacitação de Educadores (história/cultura negra) – preparar profissionais que atuam na base da sociedade para que tenhamos crianças mais conscientes

Foram definidas ainda duas ações institucionais, que serão realizadas pelo Grupo Mulheres do Brasil:

1 – Banco de Dados de Profissionais Negras Brasileiras – perfil executiva: gerentes, diretoras, VPs e presidentes, com o objetivo de apoiar a ascensão dessas mulheres em posição de impacto no mundo corporativo.

2 – Tecnologia & Inglês – Parcerias para capacitação em tecnologia e inglês, com o objetivo de aumentar a credibilidade de jovens da periferia, com grande representatividade da raça negra.

“Atualmente, o número de negras em cargos de liderança ainda é muito baixo. O viés inconsciente está presente na mente da sociedade e é pouco percebido. Por isso, o nosso Comitê de Igualdade Racial tem realizado um trabalho nas duas pontas, no empoderamento feminino – com foco em mulheres negras –, e junto aos gestores de médias e grandes empresas, trazendo a conscientização sobre a importância da diversidade em suas organizações. E agora, com as ações globais definidas no Plugar, estamos dando mais alguns passos à frente nessa longa caminhada pela redução da desigualdade racial”, afirma Marisa Cesar, CEO do Grupo Mulheres do Brasil.

Os Núcleos Regionais apresentaram suas ações de Igualdade Racial – Foto: Angela Rezé

Para Lilian Leandro, o Fórum foi impactante e profundo, trouxe um entendimento maior dessa temática e de uma forma leve e agregadora. “Saímos com as três ações globais, que era o nosso objetivo, e duas ações institucionais, que vão fortalecer o movimento como um todo. O que fica é que temos muito ainda a aprender e para isso precisamos estar cada vez mais com a mente e o coração abertos, porque os vieses inconscientes existem e começar a falar deles já é muito positivo”, diz a líder do Comitê Expansão.

“Alcançamos nosso objetivo, as pessoas foram impactadas, plantamos várias sementes e tenho a certeza de que colheremos belos frutos”, conclui Elizabete Scheibmayr.

Integrantes do Comitê de Igualdade Racial – Foto: Angela Rezé

Confira nos links abaixo a cobertura completa do Plugar Igualdade Racial:

Fatos que tornaram nossa sociedade tão injusta

Combater o preconceito começa por nós

Naiara Gomes emociona ao contar sua história no Plugar

Como se operacionaliza a discriminação nas empresas

Sistema de cotas e a responsabilidade das empresas