Foi o principal foco da parte do talk show ‘Educação para toda  Nação’ que contou com as participações da supervisora de ensino Karyn Baldini e da professora Daniela Vasconcelos Marcondes

Uma perspectiva de gestão de escola pública, passada pela mestre em gestão educacional e supervisora de ensino Karyn Baldini, e outra das dificuldades enfrentadas pelo professor da rede estadual paulista, fornecida pela professora de Ensino Médio Daniela Vasconcelos Marcondes, estiveram na pauta da segunda parte do talk show “Educação para toda a Nação”, que integrou a programação do Programa Plugar do último dia 15 de agosto, em São Paulo.

Karyn, Luiza, Rose e Daniela, durante o Talk Show Educação para toda Nação – Foto: Angela Rezé

Com visão de quem trabalhou tanto na rede particular quanto pública, Karyn falou sobre a importância da gestão de ensino respaldar o professor, que está na linha de frente do processo. “Às vezes a gente percebe que a gestão está contra os professores, mas percebe que o resultado só vai se dar quando todo mundo está a favor. E a gestão tem sempre que estar com um olhar muito criterioso e cuidadoso para o universo escolar, para a identidade da escola, sua clientela e o nível de ensino que está atendendo”, disse.

Mais importante, pontuou Karyn, é o gestor não se apegar aos problemas, mas estar sempre em busca de suas soluções. Neste ponto, a mediadora Luiza HelenaTrajano reforçou que a gestão pública deve ter um plano estratégico que premie resultados, incentive e motive a todos os atores do processo além de colaborar com a melhoria de quem ainda não atingiu os resultados necessários.

Daniela, que soma 23 anos de experiência de ensino, iniciou sua fala contando que trocou, recentemente, o trabalho em escola particular pelo da rede pública, por uma questão de compromisso – para tanto, teve de fazer um acordo financeiro em sua vida doméstica, pois significou ganhar menos.

A educadora Daniela narra sua experiência profissional – Foto: Angela Rezé

Em pouco tempo, já percebeu que o professor da rede se ressente muito de não ser ouvido pelas pessoas que fazem as políticas públicas para a educação e escolhem os materiais que serão trabalhados em sala de aula. Ela dá como exemplo a última edição da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que deve nortear o ensino público. “É tão genérica que o professor fica perdido. É legal ser genérica no sentido de dar liberdade para decidir o que dar ao aluno, mas por outro lado não há tempo para se discutir isso e o professor não é formado para isso, salvo por alguns cursos online duvidosos. Questões como estas, que acontecem no chão da escola, as pessoas não sabem”, avalia Daniela.

A mediadora Rosemary Schettini lembrou que dar voz aos professores é uma das metas do Grupo Mulheres do Brasil, com o objetivo de valorizar a carreira e ainda aprender como o grupo pode ser parceiro da escola sem invadir o espaço.

Público presente atento às experiências narradas – Foto: Angela Rezé

À questão apresentada por Luiza, sobre quais seriam suas primeiras três medidas, se fossem nomeadas ministras da Educação, Daniela respondeu que tiraria a burocracia da distribuição de verbas, ouviria os professores e, ainda, os alunos. Karyn disse que elaboraria um plano de carreira espetacular para o magistério, também facilitaria a gestão de verbas e engajaria parceiros da sociedade na educação.

Luiza encerrou esta parte do talk show contando aos presentes sobre decisão concebida durante os trabalhos da manhã do Plugar Educação: o Grupo Mulheres do Brasil vai elaborar, para o ano que vem, uma grande estratégia de marketing para valorização do professor, com engajamento de publicitários e profissionais de comunicação renomados. “Nós temos que começar a dar autoestima para os professores”, finalizou Luiza.

Por Sílvia Pereira