A segunda edição da Oficina de Abayomis, promovida pelo Grupo Mulheres do Brasil, por meio do Comitê Inserção de Refugiados, aconteceu dia 5 de outubro, novamente na Sede do Grupo, em São Paulo, reunindo 17 pessoas, e já tem outra programada para novembro.

Mais do que simples bonecas de pano, as abayomis (“encontro precioso”, na língua yorubá) evocam tradição e história ligadas à cultura africana. Teriam surgido em navios negreiros que navegavam entre África e Brasil. Conta-se que, dentro deles, pais e mães rasgavam retalhos de suas roupas para confeccionar as bonecas para suas crianças, usando apenas nós e tranças.

Encontro precioso – Foto: Divulgação

Tradicionalmente, as abayomis só são presenteadas a quem se gosta muito, por traduzirem o carinho e a dedicação de quem as confeccionou.

Conduzida por Íris Smaniotto Roschel Rotger, a recente oficina contou também com a participação de universitários da faculdade Anhembi Morumbi, parceira do Comitê em um projeto de ajuda a refugiados. “Foi uma experiência muito bacana poder fazer uma coisa que, de fato, foi um marco histórico e representa tanto para as culturas africanas e para as pessoas”, comentou o universitário Bryan.

Também havia mães e filhas, avós e netas. Entre elas, Beatriz e Luciana Abate, de 12 e 44 nos, respectivamente. “Consegui fazer com a minha avó e com a minha mãe”, comemorou Beatriz. “Achei muito legal aprender um pouco sobre como as mulheres negras faziam para proteger os filhos, para não deixá-los sem fazer nada. Eu indicaria para crianças, adultos e idosos, porque é uma experiência bem bacana. Você não faz só a oficina, mas aprende como era a cultura e outras coisas”, completou. Já a mãe Beatriz, participar da oficina ‘em família’ foi um momento único. “Foi um encontro precioso de gerações, como é o significado de fazer a abayomi”, diz.

Abayomis confeccionadas com muito amor – Foto: Divulgação

Cristina participou com a mãe e diz que foi uma experiência interessante e lúdica. “O mais legal é a gente aprender sobre uma coisa que faz parte da história do Brasil, que é uma tradição dos africanos que vieram para cá. O mais bonito foi conhecer e poder contribuir para este trabalho tão rico que vocês estão fazendo para os refugiados que a gente admira e respeita muito”, declara a participante.

Paula também adorou a experiência. “A oficina ensina princípios muito importantes, que a humanidade precisa sempre lembrar, que é das conexões, da criação, para poder encontrar a essência do que interessa, do amor, dos laços. E é brincando e é junto com outras pessoas que construímos essas lindezas”, concluiu.