*Por Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil

A data de 21 de março é conhecida por ser o Dia Internacional da Luta Contra a Discriminação Racial e é um marco na batalha pelas conquistas de direitos sociais para a população negra. A data foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) em memória às 69 vítimas fatais do “Massacre de Sharpeville”, ocorrido em 1966, na África do Sul. Em meio ao apartheid, 20 mil pessoas negras protestavam pacificamente contra a instituição da Lei do Passe, que previa a obrigatoriedade de negros portarem cartões de identificação nos quais constavam os locais aonde eles poderiam ir, quando tropas do exército local começaram a atirar contra os manifestantes – 186 pessoas ficaram feridas após o massacre.

A Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, tratado internacional de direitos humanos adotado pela Assembleia das Nações Unidas, define discriminação racial como:

“toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto ou resultado anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício em um mesmo plano (em igualdade de condição) de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública”.

Todos os dias temos que lutar contra a discriminação racial, esta data é importante para relembrarmos as fases perversas do racismo e, por que temos que lutar para sua erradicação.

Nós do Grupo Mulheres do Brasil não podemos deixar de lembrar essa data e trazermos algumas reflexões, uma vez que o combate à discriminação racial é uma de nossas premissas.

A discriminação racial perpetua desigualdades, precisamos intensificar nossos esforços para construção de uma sociedade mais inclusiva e justa.

Uma das principais formas de luta contra a discriminação racial é a educação e, para isso, o Grupo Mulheres do Brasil, por meio do Comitê de Igualdade Racial, realiza diversas ações para combater estereótipos que estigmatizam indivíduos por causa da sua cor de pele. Lançamos nossa cartilha sobre racismo, que pode ser acessada neste link, trabalhamos com palestras em empresas para conscientização sobre o racismo, educamos as crianças para que não reproduzam o racismo e que conheçam a história dos ancestrais do povo que é a maioria da população brasileira.

Acreditamos que para termos uma sociedade mais igualitária precisamos de mais representatividade, ou seja, mais negros em espaço de poder, na mídia, no mercado de trabalho, etc. O comitê de igualdade luta para que as empresas sejam mais diversas e para que tenhamos mais mulheres negras em cargo de liderança. Para avançarmos nessa luta precisamos de aliados.

“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.” Angela Davis

Uma reflexão que deixamos é como nos tornarmos aliados nessa luta contra a discriminação racial, citamos um trecho do artigo de Denise Carreira publicado na  Revista Conectas, edição 28, publicada em novembro de 2018:

“Por fim, vale dizer que a transformação almejada exige, sobretudo, uma disposição para que as pessoas brancas se coloquem ativamente como aprendizes nessa reconstrução das relações raciais, enfrentando o desconforto, o medo, o desconhecimento; reeducando olhares e escutas; refletindo e avaliando suas ações em diálogo com pessoas negras e indígenas; desconstruindo a produção de privilégios, das discriminações e das violências no cotidiano e nas instituições e se abrindo para descobrir tudo aquilo que perdemos aos longo de séculos e atualmente – como seres humanos – ao negar o reconhecimento da dignidade, dos conhecimentos, da história, das culturas e dos valores civilizatórios dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas”.