A médica infectologista e líder do Comitê de Saúde do Grupo Mulheres do Brasil, Glória Brunetti, atualiza informações sobre a pandemia que já soma 114 mil casos no mundo; com 53 confirmados no Brasil (até o momento desta postagem, 11/03), é hora de intensificar os hábitos de prevenção.

Em palestra na sede do Grupo Mulheres do Brasil, em São Paulo, Glória Brunetti, médica infectologista e líder do Comitê de Saúde, disponibilizou e esclareceu as informações disponíveis sobre a pandemia da doença instalada pelo COVID-19 (coronavírus), que até o início desta semana, dia 9 de março, somava quase 114 mil casos confirmados no mundo – perto de 90 mil só na China – e cerca de 4 mil mortes em mais de cem países.

No Brasil, até a última segunda-feira (9/3), os casos confirmados chegavam a 35. Mesmo sendo um número baixo em comparação com os da Itália – 463 mortos entre 9.172 infectados –, Glória recomenda, mais do que nunca, mudar hábitos para intensificar a prevenção [veja dicas], já que ainda não existe tratamento específico para a doença e sua transmissão se dá muito rapidamente, pelo ar.

“É como se a gente estivesse trocando o pneu com o carro andando. Estou trazendo as informações mais fresquinhas até o momento, mas elas se atualizam a toda hora”, explica a infectologista, sobre o fato de os governos e profissionais de saúde do mundo todo estarem, ao mesmo tempo, tendo de tratar os pacientes, compartilhar informações e pesquisar como combater o vírus e tratar a doença.

Para ajudar a esclarecer os brasileiros sobre o assunto, reunimos a seguir as principais informações compiladas por Glória Brunetti em sua palestra:

O Vírus

São sete os vírus da família do COVID-19 que causam doenças em seres humanos. Quatro correspondem aos que causam doenças respiratórias leves a moderadas, semelhantes às gripes e resfriados comuns que costumamos ter. Três podem causar síndromes respiratórias graves. São eles:

  • SARS-CoV: um surto de doenças respiratórias graves em Hong Kong (China), entre 2002 e 2004, com 2.494 casos e taxa de mortalidade de 9,6% (858 óbitos);
  • MERS-CoV: possivelmente originário de camelos, contaminou 8.098 pessoas na Arábia Saudita, em 2012, culminando em mortalidade de 34,4% (774). Ainda está ativa em algumas partes do Oriente Médio;
  • SARS-CoV2, que causa COVID-19: possivelmente originário de morcego, teve o primeiro caso detectado em 31 de dezembro de 2019, na cidade de Wuhan (China), e apresenta taxa de 2% de mortalidade, até o momento, mas tudo ainda pode mudar.

Transmissão

A transmissão do COVID-19 se dá por meio de gotículas contaminadas pelo vírus expelidas pelas vias respiratórias dos infectados.

Acredita-se, até agora, que o período de incubação pode durar até 24 dias, mas isso ainda pode ser revisto.

O CDC (Centro de Doenças Contagiosas) acredita que os sintomas podem aparecer em 2 a 14 dias após a exposição ao vírus, por isso a OMS mantém o tempo de quarentena de pessoas que foram expostas em 14 dias.

Quatro fatores potencializam o risco de disseminação:

  • Aglomeração de pessoas;
  • Interação humana com os animais;
  • Falta de Saneamento Básico;
  • Transporte globalizado – avião é o meio mais rápido de disseminação, seguido por navios, barcos, trens, carros.

Quadro clínico

O espectro clínico da doença instalada pelo COVID-19 pode variar de simples infecção respiratória a uma pneumonia grave. Nos casos mais leves, que acometem a maioria dos pacientes, os principais sintomas são:

  • febre (subjetiva ou confirmada);
  • tosse;
  • dificuldade para respirar;
  • problemas gastrointestinais.

Os casos mais graves, que acometem cerca de 20% dos pacientes (comumente idosos e pessoas com problemas de saúde subjacentes), evoluem para doenças graves, como:

  • Pneumonia;
  • Síndrome Respiratória Aguda Grave;
  • Coinfecção por fungos ou bactérias;
  • Edema pulmonar;
  • Falência de múltiplos órgãos;
  • Sepse;
  • e até levar à morte.

Entre crianças, os casos de COVID-19 têm sido raros, ainda não se entende muito bem o porquê. “Pode ser por causa de diferenças nas respostas imunológicas de crianças em comparação com adultos. Uma hipótese é que a resposta imune inata, que é a resposta precoce, voltada para grupos de patógenos, tende a ser mais ativa”, disse o Dr. Andrew Pavia, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas Pediátricas da Universidade de Utah, ao Live Science.

Sem tratamento

A doença instalada pelo COVID-19 ainda não tem tratamento. Por isso, o reconhecimento precoce e o diagnóstico rápido são essenciais para impedir a transmissão e fornecer cuidados de suporte aos pacientes em tempo hábil.

O esforço dos profissionais de saúde tem sido por manter os pacientes o mais confortáveis possível durante o ciclo de convalescença. Enquanto isso, a comunidade médica mundial segue buscando, por meio de pesquisas e testes, medicamentos que imunizem contra o vírus, combata a infecção e trate seus sintomas.

Atualmente, a combinação de medicamentos lopinavir / ritonavir está sendo investigada com base em estudos anteriores que sugerem possível benefício clínico em SARS e MERS. E o remdesivir (antiviral), disponível para uso compassivo, foi usado em um paciente nos Estados Unidos.

No Brasil, as cientistas Ester Sabino e Jaqueline Góes conseguiram, em 48 horas após a confirmação do primeiro caso, sequenciar o genoma do COVID-19 e descobrir que a identidade viral é diferente em dois pacientes confirmados no País. “Isso é importante porque facilita a preparação para o enfrentamento da epidemia, com testes, remédios e vacinas mais precisos”, pontuou a médica.

Enfrentamento

A orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que todos os países devem se preparar para:

  • contenção da doença, incluindo a vigilância ativa;
  • detecção precoce, por meio de exames de quem apresentar sintomas;
  • isolamento e o gerenciamento de casos;
  • rastreamento de quem teve contato com os casos;
  • prevenção do avanço do COVID-19;
  • compartilhamento de todos os dados com a OMS.

De acordo com a OMS, os países devem colocar ênfase, sobretudo, em reduzir a infecção humana, prevenindo a transmissão secundária e que (a doença) se espalhe internacionalmente.

  • No Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde) está estruturado para atuar, nestes cenários, da seguinte forma:
  • O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, implementa políticas públicas e verbas para o combate do surto.
  • O Governo Estadual, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, administra os recursos disponibilizados.
  • O Governo Municipal, por meio da Secretaria Municipal Saúde, executa ações e presta a atenção primária de saúde.

DICAS BÁSICAS DE PREVENÇÃO:

  • Não tocar seus olhos nariz e boca;
  • Evitar beijos, abraços e apertos de mãos;
  • Lavar as mãos sempre ou higienizar com álcool gel;
  • Usar máscara cirúrgica SEMPRE que tiver sintoma respiratório;
  • Atenção na prevenção dos grupos de maior risco.

Por Sílvia Pereira