O Brasil é a quinta maior população do mundo, com 54,9% de pessoas afrodescendentes e, ainda assim, os impactos decorrentes da desigualdade racial estão longe de serem solucionados.

O Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil lançou a cartilha digital Tocando no Assunto que apresenta dados importantes sobre a desigualdade racial e de gênero que ainda está culturalmente enraizada na sociedade brasileira.  A proposta é ampliar a consciência racial, disseminar valores e conhecimento, a partir de dados e informações verdadeiras, para que se possam estabelecer diálogos e discussões sobre o tema.

Faça o download da cartilha clicando neste link  Cartilha Digital – Tocando no Assunto

Além de mapear a situação da desigualdade racial no país, a cartilha digital é também educativa e propositiva. Por exemplo, o capítulo “Ações propositivas”, apresenta algumas ideias de como promover a igualdade, entre elas, o sistema de cotas raciais nas universidades, considerando que, segundo o IBGE, somente 12,8% dos estudantes de ensino superior, entre 18 e 24 anos, são negros. Há ainda “Os cinco passos para promover a igualdade racial”, como respeito ao próximo, conscientização para a transformação, educação como base de tudo, denuncie – manifeste-se e comece hoje.

Para a líder do Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil, Elizabeth Scheibmayr, o Brasil vem avançando na questão do preconceito e inclusão racial, porém ainda em passos lentos. “O que se vem observando é que além das políticas públicas, é importante a participação de toda da sociedade civil para mudança de cenário. Temos que continuar a tocar no assunto, a divulgar iniciativas de sucesso, a conscientizar a sociedade. Essa cartilha é um grande passo nesse sentido e está disponível a todos”, explica a ativista.

Dados da Desigualdade Racial no Brasil (fonte Tocando no Assunto)

  • A população negra é a mais pobre e sua renda média individual por mês é a metade da que recebem os brancos. (FGV Social e PNAD 2015)
  • Os negros representam apenas 17,8% entre os 1% mais ricos. E 75% entre os 10% mais pobres. (IBGE e Idados 2015)
  • A taxa de homicídios entre jovens negros é quase quatro vezes a verificada entre os brancos. (Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde)
  • Em 2016, 7,5% dos pretos e pardos concluíram um curso universitário, enquanto 1/5 dos brancos, ou seja, 20%, já eram graduados. (PNAD e IBGE 2017)