Método de ensino para pessoas com deficiência da Associação Fernanda Bianchini entra na escola de dança da comunidade paulistana

O Grupo Mulheres do Brasil ajudou a tornar possível mais uma iniciativa de inclusão, desta vez na comunidade Paraisópolis, em São Paulo. Desde 1º de junho, o Ballet Paraisópolis, que ensina dança a alunos da comunidade gratuitamente, passou a incluir pessoas com deficiência, graças ao método de ensino da Associação Fernanda Bianchini – Cia. Ballet de Cegos, ONG apoiada pelo Grupo.

Foto: Divulgação Ballet Paraisópolis

Fernanda conta que Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo Mulheres do Brasil, a procurou dizendo que o Ballet Paraisópolis estava tendo alunos com deficiência querendo fazer parte. “Eu prontamente me ofereci para formar professores no nosso método”, conta a bailarina, que integra o Comitê Inclusão da Pessoa com Deficiência.

Foto: Divulgação Ballet Paraisópolis

A parceria começou a se materializar quando a diretora, fundadora e professora do Ballet Paraisópolis, Monica Tarragó, foi à sede da Associação de Fernanda para conhecer o trabalho de perto. “Ao longo do nosso encontro surgiu a ideia e o convite de realizarmos um workshop do Método de Ballet para Cegos no Ballet Paraisópolis. O meu sonho sempre foi poder atender a todos os alunos interessados e este seria o primeiro passo”, conta Monica.

Com apoio do grupo e patrocínio do Instituto Lemann – parceiro de todas as horas da Associação -, Fernanda foi no último dia 1º de junho, à sede do Ballet, dar formação a 60 professores. “Abrimos não só para membros do Ballet, mas para quem de fora quisesse participar. A gente se conectou com eles e foi incrível. Alunos também fizeram aulas de olhos vendados para entenderem como é enxergar o mundo de uma forma diferente”, diz Fernanda.

Foto: Divulgação Ballet Paraisópolis

O Ballet Paraisópolis foi criado em 2012, numa salinha no meio da comunidade de Paraisópolis. O produtor executivo Jorge Andreatta conta que Monica fez todo um trabalho junto à comunidade para mostrar que a dança é profissão e pode transformar a vida dos filhos e de suas famílias. “Hoje são 200 alunos de 8 a 17 anos de idade, de ambos os sexos”, explica.

Com duração de oito anos, o curso de balé de Paraisópolis é profissionalizante. Inicia com o estilo clássico e, a partir do 4º ano, é introduzida a dança contemporânea. Os alunos fazem duas aulas semanais, com acréscimo de 15 minutos de pilates para aquecimento, e são divididos entre os grupos juvenil e sêniors. “No momento em que o aluno mostra interesse e os pais participam de todas as reuniões, começam a ser introduzidos nas aulas mais vezes por semana”, explica Andreatta.

Todo o curso é gratuito. Os alunos recebem figurino, sapatilhas, collant e agasalho de graça.

Confira abaixo o depoimento de Fernanda Bianchini:

História

Pioneiro no mundo, o método de ensino de dança a pessoas com deficiência foi patenteado e publicado na tese de mestrado de Fernanda em janeiro de 2005. Reconhecido internacionalmente, já foi ensinado em Portugal, Austrália, Estados Unidos e Argentina, e agora será replicado em livro, sob o título “Olhando para as Estrelas”, prestes a ser lançado.

Fernanda quer mais é que seu método seja muito copiado e aplicado mundo afora, por meio dessa franquia social. “Um dos nossos maiores objetivos é plantar sementes de uma história que deu certo e transformou as vidas de tantas pessoas. Sei que não consigo montar várias ONGs, mas posso ajudar várias pessoas a dar continuidade a essa história”, declara.

E essa história começou em 1995, quando a jovem bailarina Fernanda Coneglian Bianchini Saad começou a ensinar, voluntariamente, passos de balé para algumas alunas do Instituto de Cegos Padre Chico, em São Paulo. Foi como começou a desenvolver seu método de ensino de dança clássica por meio do toque e da repetição de movimentos, que tornou-se referência mundial por seu valor artístico e inclusivo. Sua principal missão é a integração social de deficientes visuais por meio da dança.

Nesses 24 anos de existência, a Cia. Ballet de Cegos já transformou mais de 1.000 vidas. Hoje atende 420 alunos de diferentes idades – dos 3 anos à terceira idade – e tipos de deficiência, sendo 60% visuais. Os cursos são todos gratuitos, mantidos com recursos captados via leis de incentivos fiscais.

Por Silvia Pereira