“Uma mulher que enxergava o mundo com os olhos da alma”, Dorina de Gouvêa Nowill é homenageada hoje pelo Google, 28 de maio, no dia em que faria 100 anos, em reconhecimento ao seu incansável ativismo e legado de autonomia e inclusão para as pessoas com deficiência visual no Brasil e no mundo.

A ativista, que ganhou um Doodle em sua homenagem (na versão brasileira do site), nasceu em São Paulo, no dia 28 de maio de 1919, e ficou cega aos 17 anos de idade, vítima de uma doença não diagnosticada.

Sempre à frente de seu tempo, foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular na Escola Normal Caetano de Campos e militou pela integração de outra menina cega num curso regular da mesma escola. Em 1947, atuou junto à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo na criação do Departamento de Educação Especial para Cegos. Posteriormente, Dorina colaboraria para a elaboração da lei de integração escolar, regulamentada em 1956.

Imagem: Fundação Dorina Nowill

Em 1946, criou a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, para preencher a carência de livros em braile. Dorina se especializou em educação de cegos nos EUA, e dialogou com a iniciativa privada americana sobre o problema da falta de livros em braille para cegos brasileiros e a necessidade de se conseguir uma imprensa braille para a Fundação que havia criado no Brasil. Assim, em 1948, a Fundação para o Livro do Cego no Brasil recebeu, da Kellog’s Foundation e da American Foundation for Overseas Blind, uma imprensa braille completa.

De acordo com o site da instituição hoje denominada Fundação Dorina Nowill para Cegos: “Nossa Imprensa Braille é uma das maiores do mundo em capacidade produtiva, com produção em larga escala, equipamentos de grande porte, recursos humanos especializados e matéria-prima especial. Há quem diga que, nos últimos 70 anos, não há uma só pessoa cega alfabetizada no Brasil que não tenha tido em suas mãos pelo menos um livro em braille produzido por nós, da Fundação Dorina Nowill para Cegos”.

A Fundação Dorina Nowill há 70 anos vem se dedicando à inclusão da pessoa com deficiência, por meio por meio da produção e distribuição gratuita de livros em braille, falados e digitais acessíveis, diretamente para o público e também para cerca de 3.000 escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil. Ao longo dessas décadas, foram produzidos mais de 6 mil títulos, impressos 2 milhões de volumes em braille e mais de mil títulos neste sistema.

A entidade também oferece, gratuitamente, serviços especializados para pessoas com deficiência visual e suas famílias, nas áreas de educação especial, reabilitação, clínica de visão subnormal e empregabilidade. Nos serviços de clínica de visão subnormal, reabilitação e educação especial, já são mais de 17 mil pessoas atendidas.

 “Vencer na vida é manter-se de pé quando tudo parece estar abalado. É lutar quando tudo parece adverso. É aceitar o irrecuperável. É buscar um caminho novo com energia, confiança e fé” (Dorina Nowill)

Dorina de Gouvêa Nowill faleceu em em 29 de agosto de 2010, aos 91 anos de idade.

Inspiração

“Dorina foi uma grande e incansável mulher que sempre me inspirou e me inspira até hoje a nunca desistir diante das dificuldades e barreiras da vida e levar amor aos corações preconceituosos que cruzarem nossos caminhos em busca da verdadeira inclusão social”, Fernanda Bianchini Saad – Associação Fernanda Bianchini – Cia Ballet de Cegos.

“Dorina Nowill, no século passado, quando a palavra inclusão nem era conhecida, provou que a verdadeira inclusão parte de um desejo genuíno de acolher ao outro com suas caracteristicas e capacidades e a FUNDAÇÃO Dorina Nowill vem transformando por meio da educação, dando acesso a todos e tornando os ambientes da família, da escola e do mercado de trabalho acessíveis e acolhedores. Foi sua bondade que fez tudo isso acontecer! O mundo precisa de mais Dorinas!”, Angela Rezé, ativista e líder do Comitê Inclusão da Pessoa com Deficiência, do Grupo Mulheres do Brasil.

“Ela é uma mulher extraordinária para sempre e que inspira muitas mulheres com ou sem deficiência, inclusive a mim. A educadora e fundadora da Fundação Dorina Nowill deixou um legado de superação e inclusão social, no qual, por meio de sua deficiência visual desde os 17 anos, fator que nunca a intimidou, e sempre uma “Mulher de visão”, deu luz para muitas vidas de pessoas com deficiência e baixa visão, com muitas cores e alegrias em um outro olhar de viver e aprender”, Terezinha Silvestre Salamanca, ativista e voluntária do Comitê Inclusão da Pessoa com Deficiência.