O Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Salvador está desenvolvendo a todo vapor uma campanha de conscientização das mulheres sobre seu direito legal de acesso a métodos contraceptivos, especialmente o DIU (Dispositivo Intrauterino). Iniciada no ano passado, em parceria com a Comissão de Responsabilidade Social da OAB/BA (Ordem dos Advogados do Brasil – Bahia), a campanha está sendo intensificada este ano, com o objetivo de tornar acessível, ao maior número possível de mulheres, informações sobre seus direitos reprodutivos.

Pela legislação federal, mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) que recorrem ao SUS podem, em tese, escolher entre sete métodos: injetável mensal, injetável trimestral, minipílula, pílula combinada, diafragma e o DIU de cobre, além de camisinha. Se tiver mais de 25 anos ou dois filhos, a mulher também pode fazer laqueadura (processo de esterilização que bloqueia as tubas uterinas, impedindo que os espermatozoides acessem os óvulos), que tem eficácia de 95% na contracepção.

A campanha do Grupo Mulheres do Brasil também visa derrubar alguns mitos, como o de que adolescentes e mães no período pós-parto não podem usar o dispositivo intrauterino. “A primeira maternidade, que ‘abraçou a ideia’, tem tido resultados excelentes: 7 entre 10 parturientes optam pela colocação do DIU nos partos”, diz a Ana Clara, líder do Núcleo Salvador.

Na última semana, voluntárias do Núcleo Salvador participaram de programa na TV Aratu-SBT, que tem grande audiência entre o público de baixa renda. O próximo passo será colocar banners em ônibus. Pedido de autorização para afixá-los já foi feito pessoalmente ao secretário de Mobilidade de Salvador. “Líderes comunitários vão apoiar o projeto. A Polícia Militar também prometeu apoio”, anima-se Ana Clara.

O DIU de cobre dura dez anos e, comprovadamente, é o método com maior eficácia em contracepção (99,5%). A pílula anticoncepcional, que é o mais comum, tem 97% se o seu uso for “perfeito”, mas, considerados os índices de esquecimento das mulheres, cai para 91%. O outro método mais popular, a camisinha, tem 98% de eficácia, se for usado corretamente.

Desinformação

Muitos obstáculos ainda impedem que as mulheres tenham acesso gratuito a métodos contraceptivos no Brasil. Desinformação, falta de equipamentos e treinamento dos profissionais de saúde são os principais.

De acordo com reportagem investigativa da BBC Brasil, em vários Estados do País faltam DIUs em hospitais e postos de saúde. Em outros, há carência de profissionais habilitados para implantá-los, mesmo o procedimento sendo simples – dura de 15 a 30 minutos e não precisa de anestesia. Também há dificuldade de agendamento para a colocação do dispositivo via SUS e, em alguns Estados, o método sequer é oferecido. Também falta injeção trimestral em postos de saúde e a espera para fazer vasectomia e laqueadura é longa, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País.

Líderes comunitários apoiam a campanha – Foto: Divulgação

De acordo com pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, que ouviu 24 mil mulheres entre 2011 e 2012, mais de 55% das brasileiras que tiveram filhos não haviam planejado a gravidez. Este percentual está acima da média mundial, de 40% de gestações não planejadas. Além disso, segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, realizada pelos professores Débora Diniz (Universidade de Brasília), Marcelo Medeiros (UnB) e Alberto Madeiro (Universidade Estadual do Piauí), mais de 500 mil abortos clandestinos são realizados todos os anos no Brasil, como resultado de gestações indesejadas.

Por Sílvia Pereira