Trabalho conjunto de poder público, iniciativa privada e voluntarismo do Grupo Mulheres do Brasil viabilizou aparelhamento de nova Delegacia de Defesa da Mulher e Centro de Referência da Mulher

Foram entregues no último 26 de novembro – não por acaso entre o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher (25/11) e o aniversário de 195 anos de Franca (28) – o complexo que reúne as novas instalações da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e o Centro de Referência da Mulher do município. Nos discursos de autoridades presentes à solenidade de inauguração, como o governador do Estado de São Paulo, João Dória, seu secretário de Estado dos Negócios da Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos, o prefeito de Franca, Gilson de Souza, e da presidente do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano,  prevaleceu o reconhecimento de um trabalho conjunto do Poder Público, com a iniciativa privada e voluntárias do Grupo Mulheres do Brasil no esforço de aparelhar as novas unidades de forma exemplar.

Solenidade de inauguração da nova DDM, governador João Dória e autoridades presentes – Foto: Pedro Vilasboas

Tudo começou há dois anos, quando, instigada por uma ex-vítima de violência, as Niaras (como se autodenominam as integrantes do Comitê de Combate à Violência Contra a Mulher do Núcleo Franca do Grupo Mulheres do Brasil) iniciaram um diagnóstico da estrutura de suporte existente em Franca para atendimento a este tipo de caso e a pesquisar modelos exemplares de outras cidades. Em 1º de maio deste ano, a advogada e líder das Niaras, Najara Aparecida Rodrigues, apresentou o resultado desses estudo a Luiza. “Sou advogada, trabalho com isso, então a gente vê, no dia a dia, a dificuldade que as mulheres francanas tinham para serem atendidas na nossa antiga Delegacia da Mulher. Ela não era humanizada, não tinha a parte do acolhimento, não tinha acessibilidade. Realmente, era um ambiente muito ruim”, lembra Najara.

Luiza Helena Trajano apresenta as instalações da nova DDM: ambiente humanizado – Foto: Pedro Vilasboas

Então, Luiza Helena Trajano levou o diagnóstico ao governador Dória, a quem reivindicou suporte do Estado para reaparelhamento da DDM e instalação de um Centro de Referência da Mulher em Franca. Três meses depois, a delegacia já tinha um novo prédio, no qual as ‘Niaras’ passaram a conduzir trabalhos voluntários para aparelhamento e decoração. “A prefeitura pôde oferecer psicólogo, assistente social e mais dois profissionais para ajudar a delegada Cristina no atendimento”, disse o prefeito Gilson de Souza.

Em sua fala, o governador João Dória ressaltou que está comprometido com a causa do combate à violência contra a mulher ao ampliar, de uma para dez, o número de Delegacias de Defesa da Mulher que funcionam 24 horas por dia, no Estado. “Pois a maioria das violências domésticas ocorrem durante a noite e a madrugada e dentro dos lares”, enfatizou. Também falou sobre a entrada em funcionamento do aplicativo SOS Mulher, que foi premiado em Tóquio (Japão), em setembro deste ano, em uma conferência internacional dedicada à proteção da mulher, como mais inovador programa tecnológico digital com esse objetivo. Atualmente, o Estado de São Paulo tem 133 DDMs funcionando – “quase 40% de todas as que existem operando em todo o País”, destacou o governador.

Voluntarismo

Em seu discurso de agradecimento, na solenidade de inauguração, Luiza contou como convenceu o arquiteto Fabiano Correa a se engajar no trabalho. “Ele tem muito bom gosto. Fez uma coisa inédita: um jantar chiquérrimo na casa dele, para o qual chamou todos os prestadores de serviços e os convidou a serem voluntários no projeto. Então trabalhou a comunidade”, disse.

O arquiteto calcula que 45 empresários atenderam ao chamado e foram de extrema importância para o resultado do projeto. “Foi uma experiência muito gratificante. Acompanhamos toda a transição da outra delegacia para esta. Tivemos que fazer todo um planejamento para acomodar os espaços necessários ao acolhimento da mulher, inclusive alguns que não existem em outras delegacias, como o Centro das Mulheres do Brasil e a Sala Lilás, que faz o primeiro atendimento. De primeira, quando entrei na casa, falei: ‘quero fazer um trabalho que seja um abraço nas mulheres’”, contou Correa.

As líderes de São Paulo do Grupo Mulheres do Brasil também prestigiaram a inauguração da DDM – Foto: Pedro Vilasboas

Para Eliane Sanches, líder do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Franca, o objetivo de Correa foi alcançado, pois ela acredita que o complexo confere dignidade a uma situação triste, na qual mulher se encontra frágil e sem esperança. “Aqui ela terá encaminhamento psicológico, jurídico e atendimento das assistentes sociais”, pontua. E o resultado ficou tão bom que Grupo entregou ao governador um dossiê detalhado do projeto, para que sirva de modelo ao aparelhamento de outras unidades de atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica. “O que a gente espera em Franca é que esse modelo de parceria com o poder público possa ser inspirador e replicado em outras cidades, porque aí sim faremos a diferença. Não só atenderemos a mulher francana, mas a do Estado”, acrescentou Eliane.

De acordo com a delegada da Mulher de Franca, Cristina Bueno, o trabalho das Mulheres do Brasil foi imprescindível! “Esse projeto não teria saído do papel, não teria acontecido se não fossem todas elas. Não dá nem para nomear uma por uma sem cometer injustiças porque todas ajudaram muito, da pintura aos pequenos detalhes. É uma delegacia pensada e feita por mulheres, para mulheres”, declarou, emocionada.

As líderes do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Franca, entre a Delegada Cristina Bueno e Luiza Helena Trajano, presidente do Grupo – Foto: Pedro Vilasboas

Dória ressaltou a importância “duas razões de celebração o dia da proteção da mulher, compromisso da proteção da mulher, obrigação e determinação – ampliar o atendimento das delegacias da mulher para 24 horas ao dia, pois geralmente as agressões à mulher acontecem à noite e de madrugada e dentro de casa, e ressaltou a recém inauguração da Casa da Mulher Brasileira, há duas semanas em São Paulo, que também está funcionando com uma Delegacia da Mulher, e  presta assistência e acolhimento à mulher vítima de violência, ininterruptamente, inclusive com aposentos. “Em 100 dias de governo, nós ampliamos de uma para 10 Delegacias da Mulher operando 24 horas por dia”, ressaltou o governador.

Encorajamento

Também presentes à solenidade de inauguração, a delegada geral de polícia adjunta do Estado de São Paulo, Elisabete Sato, e a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, Jamila Ferrari, concordaram que o novo complexo deve encorajar mais mulheres vítimas de violência doméstica a fazerem denúncias e a buscarem ajuda para sair do ciclo de violência.

As delegadas Jamila Ferrari e Elisabete Sato, da esquerda para a direita – Foto: Divulgação

“Toda mulher vítima de violência doméstica precisa não só de um atendimento policial, mas de um atendimento psicossocial, muitas vezes de ajuda jurídica, para ela arrumar um emprego e realmente romper o ciclo da violência. Quando você coloca uma delegacia de polícia junto com um Centro de Referência, em que haverá toda essa ajuda e esse suporte multidisciplinar, você traz um ganho pra essa vítima”, diz Jamila.

Para Elisabete Sato, o novo complexo é de “suma importância”, porque garantirá um suporte muito maior para mulheres vítimas de violência doméstica e de todos os sentidos da violência. “Serão importantes as explicações que serão dadas a essas mulheres. Por que as mulheres devem buscar os seus direitos? A orientação que será dada a elas em relação, por exemplo, à violência psicológica, que existe. Agora, ela tendo apoio e conhecendo todos os seus direitos, será encorajada”, concluiu.

A solenidade de inauguração da DDM foi encerrada com uma ‘selfie’ com o governador – Foto: Pedro Vilasboas

Por Sílvia Pereira