Toda edição do Aceleradora de Carreiras é especial, mas o de Franca, realizado nos dias 24, 25 e 26 de maio, foi desenvolvido com muito amor e leveza.  “Desde o acolhimento das francanas a nós, voluntárias de São Paulo, ao início das atividades no LuizaLabs, até o encerramento do workshop”, testemunha Andréa Cruz, integrante do Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil e uma das idealizadoras do programa, que foi a Franca com outras 13 voluntárias de São Paulo para ministrar a terceira turma do Aceleradora de Carreiras para 27 inscritas.

Andréa Cruz, encontro com leveza e amor – Foto: Pedro Vilas Boas

Pela primeira vez desenvolvido fora da capital, o Aceleradora de Carreiras tem o objetivo de ampliar e impulsionar a atuação das mulheres negras no mercado de trabalho, de auxiliá-las a conquistar ascensão profissional e visibilidade em cargos de liderança. Segundo Elizabeth Scheibmayr, líder do Comitê de Igualdade Racial, as mulheres negras (pretas e pardas), até então, não tinham acesso a um programa desenvolvido para elas focado em autoconhecimento, carreiras e finanças.

“Esse projeto sempre foi pensado para ser uma ação replicável para todo o Brasil. Realizamos duas edições em São Paulo e, a cada uma delas, fomos aprendendo e melhorando”, conta Elizabeth Scheibmayr, líder do Comitê de Igualdade Racial. Ela explica que a ideia de levar a ação para Franca surgiu de um encontro no início do ano com a líder local do mesmo comitê. “Nossa resposta imediata foi sim e em seguida definimos a data”.

Elizabeth Scheibmayr, propósito do Grupo Mulheres do Brasil e do Comitê de Igualdade Racial – Foto: Divulgação

Em sua fala de boas-vindas às integrantes do programa, em Franca, Luiza Helena Trajano ressaltou a importância e a troca promovidas pela iniciativa. “Eu aprendi muito com o Comitê de Igualdade Racial e continuo aprendendo, agradeço e respeito porque temos uma troca muito grande. Valorizo muito o Aceleradora de Carreiras porque está trabalhando uma mudança de ciclo, vai proporcionar com que as mulheres negras parem de se sentir rejeitadas e estejam no topo, no poder, em todos os lugares, e esse programa vem trazer isso”, destaca Luiza.

Luiza Helena Trajano deixa sua mensagem às participantes, na abertura do evento – Foto: Divulgação

A ação foi impactante tanto para as voluntárias que atuaram como facilitadoras da ação, como para as participantes que, segundo Andréa Cruz, iniciaram um processo de desconstrução para uma nova realidade, por meio do autoconhecimento, com dinâmicas, reflexões e atividades de troca. “Saí impactada positivamente com o resultado concreto de um processo de transformação que se iniciou. Ao final, presenciamos uma rede de apoio que se estabeleceu entre elas e escutamos depoimentos como “me permitir florescer”, “transformação”, “auto confiança”, “passei por uma desconstrução para construir uma nova pessoa que sabe o que quer”, entre muitos outros que encheram nosso coração de alegria. É uma honra poder servir a uma causa tão nobre”, comemora Andréa.

Para Carmelita Vitor Spreen, que divide a coordenação do Comitê de Igualdade Racial, em Franca, com Josiane Barbosa Oliveira, o Aceleradora significou uma injeção de ânimo, de esperança e o resgate, ou até mesmo a descoberta, da autoestima, para muitas das participantes. “Esse encontro foi gratificante, transformador e impactante para todas nós. Sinto-me preenchida e feliz por ter, junto com as mulheres maravilhosas que vieram de São Paulo, com minha parceira de liderança, Josiane, e todas as voluntárias, transformado vidas”, afirma Carmelita.

Josiane Barbosa de Oliveira e Carmelita Vitor Spreen, coordenadoras de Igualdade Racial em Franca – Foto: Divulgação

Apoiar essa causa é fundamental, afirma Eliane Sanches Querino, líder do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Franca. “Apoiamos e aplaudimos a voz do Comitê de Igualdade Racial, pois o racismo existe, não é mimimi. Sabemos que muito tem sido feito, mas muito ainda precisa ser feito. Estamos sentindo o crescimento do trabalho de Igualdade Racial aqui em Franca, que começou com o Fórum da Igualdade e o grupo cresceu muito, são mulheres guerreiras, alinhadas e que fazem acontecer”, conclui a líder.

Eliane Sanches Querino e Janisse Mahalem, líderes do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Franca –  Foto: Pedro Vilas Boas

Sim, nós podemos! A voz das ‘aceleradas’

“Sair de casa nesta manhã para cumprir o compromisso de estar participando do Aceleradora de Carreiras, foi de fato, muito compensador. Desde as primeiras notícias que este programa seria realizado em Franca, passei dias pensando sobre o conteúdo que seria proposto e como isso poderia contribuir de um modo geral para a minha vida e, principalmente, fortalecer a mudança que estou me propondo. Fui convencida que valeria a pena eu me permitir a este momento transformador.  Tudo superou minhas expectativas. Todos os relatos compartilhados, as abordagens feitas, a interação com as dinâmicas – conhecer, ouvir, falar e sentir pessoas – me deixou impactada de uma forma restauradora. Estou muito bem. Houve aconchego, acolhimento, empoderamento, conselho… Por aqui acendeu e acelerou a vontade de buscar quem eu quero ser”, Irinéa Donizete da Silva.

“Eu não tinha noção do quanto seria impactada por tudo que presenciei hoje. O abre-alas foi o Hino Nacional abrasileirado com imagens de um grupo forte, depois, as palavras vivas e sábias da Eliane, um poema declamado pela própria autora: Tâmara Valentim, a Carmelita que mostra a liderança que reconhece o grupo e a ação em conjunto, a Sirlei que apresenta com leveza, a Lisiane, de SP, que sabe que ‘vai acontecer onde querem fazer’, a Josiane com sua facilidade em abrir caminhos para ‘se Tocar no assunto’, o Dr Lourenço que sabe valorizar o ‘estar vivo, saudável e feliz’, e fala com propriedade sobre julgamento pela cor da pele, portas fechadas discriminadamente e sobre a ideia ainda insistente de que existe alguma superioridade. Enfim, saí tocada, emocionada, engasgada por ser da raça humana e extremamente feliz por saber que quem faz parte do Grupo Mulheres do Brasil, faz parte do mundo e de vários mundos particulares, várias histórias exemplares, faz parte da diversidade, da equidade, da luta contra a crueldade, da descoberta de anticorpos contra o pior da sociedade, da ação contra a maldade pela liberdade, do fazer junto pela Humanidade”, Sandra Junqueira.

Dinâmica e troca – Foto: Divulgação

“Não há como mensurar tamanha emoção que estamos sentindo no dia de hoje. O projeto é encantador, e apresentado de forma tão impactante, que é impossível não cair em lágrimas. Todo o trabalho que está sendo desenvolvido conosco é profundo e de proporções inimagináveis, nos conectando à nossa ancestralidade e resgatando a garra da nossa raça, até então adormecida. Transmito aqui nossa gratidão pelo trabalho, e pela oportunidade de participar desta iniciativa. O programa Aceleradora de Carreiras do Comitê de Igualdade Racial formou o que estamos chamando de ‘Família de Aceleradas’, e todas estamos muito entusiasmadas em dar continuidade a essa união. Obrigada a todas as envolvidas”, Marcela Barros.

“Vivi um sonho que antes era incapaz de imaginar, e mais, aprendi a sonhar. Graças a uma equipe maravilhosa de voluntárias que viajaram horas para fazer o mais simples: ajudar. Não há palavras para agradecer a elas, por esse capítulo lindo na minha vida”, Karen Fernanda.

Tocando no assunto

O Comitê de Igualdade Racial lançou em Franca, dia 23 de maio, em evento na Unifran, a cartilha Tocando no Assunto com textos informativos e reflexivos sobre o racismo. A cartilha dialoga tanto com o público corporativo quanto com o educacional e incentiva a reflexão a respeito desse tema. Inicialmente, a tiragem será de 1050 exemplares que serão distribuídos para diretores e coordenadores. Quem estiver interesse na cartilha, para trabalhar com grupos de estudo, pode solicitar pelo e-mail franca@grupomulheresdobrasil.org.br. Você também pode fazer o download da cartilha neste link.