A oitava edição da Copa do Mundo Feminina de Futebol começa nesta sexta-feira, 7 de junho, às 16h (horário de Brasília), no estádio Parc des Princes, em Paris, com a partida entre França x Coreia do Sul. Os brasileiros podem acompanhar os jogos pelas emissoras Rede Globo e Bandeirantes, na TV aberta, e SporTV e Band Sports na TV fechada. É a primeira vez na história do mundial que todos os jogos serão transmitidos, é também a primeira vez que a Rede Globo transmite os jogos da seleção no mundial.

O campeonato, que segue até 7 de julho e será disputado por 24 seleções, acontece em nove cidades: Paris, Lyon, Nice, Montpellier, Rennes, Le Havre, Valenciennes, Reims e Grenoble. A Seleção Brasileira estreia dia 9, no domingo, às 10h30, em partida contra a estreante Jamaica, em Grenoble. Em campo, o trio de ouro Marta, Cristiane e Formiga formam o time com outras 20 jogadoras brasileiras que vão lutar pelo título inédito na categoria.

O Grupo Mulheres do Brasil pela primeira vez participa do Mundial, com a enviada especial Maria Luiza Cavalcante Lima, líder do recém-criado Comitê de Esportes, que fará a cobertura e os registros dos jogos da Seleção Brasileira, com o apoio tático da Escola THE360, onde a correspondente brasileira estudou recentemente e se qualificou em Gestão de Futebol.

Equipe Grupo Mulheres do Brasil credenciada e equipada – Foto: Arquivo Pessoal

Com um curso de francês agendado para junho, a voluntária do Grupo Mulheres do Brasil e entusiasta dos esportes resolveu unir propósito e paixão, quando teve a ideia de cobrir a Copa do Mundo Feminina de Futebol, na França. Estendeu o convite ao filho Pedro Augusto, de 16 anos, jogador de futebol, goleiro na categoria Sub 17. Pronto, equipe formada: repórter e assistente de filmagem.

Maria Luiza e seu filho, Pedro Augusto, no campeonato de tênis em Roland Garros – Foto: Arquivo Pessoal

“A ideia de cobrir a Copa do Mundo de Futebol Feminino surgiu quando percebi que escolhi fazer um curso de francês na mesma época da copa. Entendi que não poderia deixar passar esse momento tão importante pois será a maior copa de todos os tempos, com quase 1 milhão de ingressos vendidos antecipadamente. Decidi então encurtar o curso para poder acompanhar a seleção brasileira na primeira fase”, conta Maria Luiza.

Ao chegar em Paris, a correspondente brasileira estranhou a pouca divulgação do evento e um entusiasmo moderado nas pessoas. “Vi alguns anúncios em pontos de ônibus e lojas especializadas em esportes. As pessoas até sabem que vai acontecer uma Copa do Mundo de Futebol Feminino, porém vi muito pouco movimento em relação à minha expectativa. Tem que procurar para ver”, relata. Provavelmente pelo fato de o francês ser mais discreto, também porque o futebol feminino é comum no país e não é tratado como algo excepcional. “Ao contrário do Brasil que está patinando para descobrir o futebol feminino”, pontua Maria Luiza.

Além disso, o campeonato de tênis em Roland Garros está acontecendo na mesma época e as atenções do público ficaram divididas. Maria Luiza aproveitou para acompanhar os jogos femininos de tênis na famosa arena francesa, que termina no mesmo final de semana em que começa a copa.

Maria Luiza conta ainda que somente na véspera da abertura do mundial as emissoras francesas começaram a abordar mais o tema. “Um estúdio da rede Fox Esportes foi montado na famosa Praça do Trocadero, com vista ao lindo cartão postal parisiense, a Torre Eiffel”, diz.

Equipe gravando – Foto: Arquivo Pessoal

Enquanto o mundial não começava, Maria Luiza não perdeu tempo, mergulhou no idioma, no universo do futebol feminino francês e se emocionou ao visitar o Athletic Club Boulogne-Billancourt, um conhecido clube de Paris que trabalha com futebol para meninas a partir de 6 anos. “Fizemos gravações do treino das meninas e uma entrevista com o diretor de futebol feminino, Fred Roubiou. Uma das atletas vai entrar com a bandeira da França na abertura da Copa”. Ela conta ainda que, durante a visita, presenciou o treino das meninas, que, mesmo sob um frio de 10 graus e chuva forte, corriam entusiasmadas.

Equipe entrevista Fred Roubiou, diretor de futebol feminino do Athletic Club Boulogne-Billancourt – Foto: Arquivo Pessoal

A visita ao Athletic Club foi intermediada por um dirigente do clube, o brasileiro Luiz Américo, que mora em Paris há 15 anos e fundou a Associação Paris de Cultura e Esportes, uma ONG sediada em João Pinheiro-MG, que ensina futebol de base e estudo do idioma francês para meninas.

Equipe de futebol feminino do Athletic Club Boulogne-Billancourt – Foto: Arquivo Pessoal

Entusiasmada para a abertura da Copa, com o jogo França e Coreia do Sul, a correspondente estreante faz sua análise: “a França é favorita ao título por ser a sede e possuir grande parte do time do Lyon, maior campeão de todos os tempos da Champions Ligue. O sonho francês é conquistar as duas copas, masculina (em 2018) e agora a feminina. Assim como os Estados Unidos, tradicionais no esporte, e a Austrália, que cresceu muito nos últimos anos e será adversária do Brasil na primeira fase, jogo que ocorrerá dia 13, em Montpellier, no Sul do país”, aposta Maria Luiza.

Para a presidente do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano, o esporte feminino tem que ser valorizado, assim como a maior participação da mulher no futebol. “Queremos estimular que o Brasil inteiro torça e vibre pela nossa Seleção Brasileira e por isso estamos na França, para transmitir em nossos canais o que está acontecendo por lá durante o mundial. A Maria Luiza, nossa correspondente, está sempre quebrando paradigmas e agora está mais uma vez à frente de uma missão muito especial: com seu filho, transmitindo essa copa feminina tão importante para o posicionamento das mulheres”, conclui Luiza Helena Trajano.

Seleção Brasileira

Bárbara (goleira), Letícia Santos (lateral direita), Mônica (zagueira), Erika (zagueira) e Tamires (lateral e meio-campo); Formiga (meio-campo), Thaísa (meio-campo), Andressa Alves (meio e ponta) e Marta (atacante); Bia Zaneratto (centroavante) e Cristiane (atacante). No banco: Aline, Letícia Izidoro, Poliana, Camila, Kathellen, Tayla, Luana, Andressinha, Ludmilla, Geyse, Raquel e Debbinha.

Jogos do Brasil na Copa do Mundo Feminina na primeira fase:

– Brasil x Jamaica, domingo, dia 9 de junho, às 10h30min;

– Austrália x Brasil, quinta-feira, dia 13 de junho, às 13 horas;

– Itália x Brasil, terça-feira, dia 18 de junho, às 16 horas.

Comitê de Esportes

Segundo Maria Luiza, a proposta do Comitê de Esportes é acompanhar os desafios do esporte praticado por mulheres. “Acreditamos que o esporte é a melhor forma de inserção social de competências coletivas, disciplina, assim como educação permitindo à menina alternativas de futuro”, explica.

Um outro ponto importante como frente de atuação do Comitê, de acordo com a líder é o monitoramento do cumprimento da regulação de inserção do futebol feminino, instituída pela FIFA. “Estamos acompanhando a forma como os times estão se adaptando às cotas na série A do campeonato brasileiro, no qual cada time está obrigado a manter dois times femininos, um profissional e outro de base”, diz Maria Luiza.

Confira o primeiro vídeo da nossa correspondente em Paris, durante um dos jogos do Torneio de Roland Garros: