O Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza celebrou ontem, 7 de agosto, os 13 anos da Lei Maria da Penha, lançando um manifesto pela erradicação da violência contra a mulher. O evento foi realizado na Casa da Mulher da Brasileira, em Fortaleza, e foi abrilhantado com a presença ilustre da própria Maria da Penha, além da cordelista mirim Samya Abreu.

A cordelista mirim Samya Abreu, Maria da Penha e Annette Reeves – Foto: Divulgação

De acordo com Annette Reeves de Castro, líder do Núcleo, o manifesto é um alerta sobre um assunto sério e que diz respeito a todos e também tem a intenção de lançar as ações de combate à violência contra a mulher do Grupo em Fortaleza. “Vamos focar menos no discurso do combate à sociedade ‘machista’ e muito mais ao trabalho construtivista para que as mulheres de todas as classes sociais retomem sua dignidade e autoestima”, explica a líder.

Confira o manifesto, na íntegra:

Erradicação da Violência contra a Mulher, que as Vozes Femininas sejam Ouvidas e Respeitadas

Estamos no final da segunda década do século 21 e ainda há uma mácula indelével na sociedade patriarcal em que vivemos: a violência contra a mulher. Sofrida pelo domínio da irracionalidade, de inferiorizar a condição de ser mulher e subjugá-la a padrões estabelecidos que ignoram a preservação de sua saúde física e mental, e ainda prejudicam a moral, a convivência social e a oportunidade de seu desenvolvimento intelectual e financeiro.

Nós, do Grupo Mulheres do Brasil, queremos uma sociedade justa e igualitária, somos um grupo feminista e suprapartidário composto por mais de 25 mil mulheres no Brasil e no mundo, lutamos para que seja erradicado qualquer tipo de violência contra a mulher, independente de sua classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião.

É urgente sair do conformismo e da ignorância. Maria da Penha é a voz que nutriu o avanço com marcas permanentes no seu corpo. Outras vozes são silenciadas para a eternidade: vítimas do feminicídio ou do suicídio daquelas que não encontraram apoio e nem condição para mudar os abusos sofridos.

A vítima está fragilizada, e muitas ignoram que vivem em condição de violência, com sua moral questionada, o emocional manipulado e seu psicológico usurpado por palavras ofensivas e degradantes, tendo seu patrimônio dilapidado e seu corpo subjugado, reduzida a sofrer em silêncio no espaço tolerado pela impunidade.

Vozes precisam ser ouvidas e respeitadas em um maior número de Delegacias da Mulher e em espaços de apoio emocional, psicológico e estímulo financeiro. Que exista uma justiça mais conhecedora dos aspectos que envolvem a violência de gênero e leis que erradiquem os abusos cometidos contra a mulher. Que haja núcleos de combate à violência nos equipamentos de saúde para identificar, orientar e encaminhar as vítimas e denunciar o agressor. Precisamos de diálogo dentro das empresas para coibir os assédios morais e sexuais, com ampla divulgação dos amparos legais da Lei Maria da Penha.

A violência está presente em toda classe social e em qualquer nível cultural, por isso nenhuma voz deve ser silenciada. É preciso acelerar a mudança e abalar essa estrutura corrompida da desigualdade para vivenciar a pedra angular do respeito e da justiça.

Hoje, este manifesto planta a crença na força da união, de mulheres e homens, e no caminho da igualdade, onde todas as vozes são ouvidas, amparadas e respeitadas, e assim surgir o alvorecer da humanidade do século 21.

Fortaleza, 07 de agosto de 2019 – Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza

Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Fortaleza – Foto: Divulgação

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