Desde 2017, o Núcleo Fortaleza do Grupo Mulheres do Brasil tem levado novas perspectivas profissionais a rendeiras do município de Aquiraz, no litoral do Ceará. Agora, o Grupo de Trabalho (GT) de Artesanato do Núcleo prepara-se para fazer o mesmo por um grupo de ciganas de Pindoretama, outro município litorâneo localizado na região Metropolitana da capital cearense.

Tudo começou quando a líder do Comitê Cultura de Paz do Grupo, Aline Miranda, conheceu, em uma reunião, o líder de um grupo cigano Rogério Ribeiro, também integrante do Instituto Cigano Brasileiro. Ele contou sobre as mulheres de sua comunidade que confeccionam artesanato e roupas e não conseguem vender. Imediatamente Aline pensou em convocar a designer e empresária Ethel Whitehurst, líder do GT do Artesanato, para ensiná-las a empreender.

A líder Ethel, durante as aulas de empreendedorismo para a comunidade cigana – Foto: Divulgação

O passo seguinte foi a realização de uma reunião entre o grupo cigano e as voluntárias do Grupo Mulheres do Brasil, durante a qual já foi criado o projeto “Ciganas Empreendedoras”, que dará orientações a um grupo de 12 ciganas. Ethel explica que elas aprenderão noções de empreendedorismo, como cálculo do preço de venda dos produtos, por exemplo, além de modelagem, corte e costura. A ideia é que, no futuro, também possam instruir outros grupos ciganos. “Queremos criar um modelo de projeto em que essas mulheres se tornem multiplicadoras. Será um grupo de negócios.  É uma mudança radical, mas elas estão querendo isso”, entusiasma-se a empresária.

E como não perde tempo, Ethel também já definiu que criará, neste início de ano, uma coleção de saias, lenços e bijuterias com design cigano, para o grupo produzir e vender em feiras. Para isso, ensinará as ciganas a trabalharem na máquina de costura, já que atualmente elas confeccionam tudo a mão. O grupo se reunirá com a designer – e algum outro profissional convidado – uma vez por semana. “Penso que em seis meses vamos atingir nosso propósito. Então, uma vai costurar, outra bordará, outra fará o acabamento, como numa linha de produção”, projeta.

Novo ânimo

Ethel considera de extrema importância o projeto, pois sabe que o povo cigano não tem acesso a oportunidades no mercado de trabalho. “Existe ainda muito preconceito nas empresas em relação a contratar pessoas de origem cigana”, pontua.

O líder Rogério Ribeiro conta que as artesãs ficaram muito animadas com as perspectivas abertas pelo projeto. “Nós saímos muito felizes e confiantes. Vamos comemorar mais ainda quando as máquinas estiverem funcionando e as peças expostas, porque elas, as ciganas, são muito guerreiras. Só precisavam dessa mão amiga de vocês. Estão radiantes e acreditando. E quando cigano acredita e confia é muito bom”, comemora.

Mãos à obra – Foto: Divulgação

A líder Aline Miranda também disse ter ficado muito feliz com a acolhida do grupo. “A gente quer colaborar, ajudar, trocar experiências. No que for possível, estaremos juntos. Somos todos seres humanos. Fazemos parte da mesma terra, da mesma aldeia. Somos todos irmãos”, conclui.

Por Sílvia Pereira